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SUS e setor privado: como essa combinação influencia a carreira médica
Publicado em 14/09/2026
por Blog UNIFAGOC

Quem está escolhendo Medicina como carreira costuma imaginar uma escolha definitiva entre SUS e setor privado. Na prática, porém, muitos médicos conciliam os dois setores ao longo da carreira. Entre os cirurgiões brasileiros, por exemplo, 72% atuam simultaneamente nas redes pública e privada, segundo a Demografia Médica no Brasil.
Um levantamento recente da Demografia Médica do Estado de São Paulo, divulgado em 2026, mostra que quase 70% dos cirurgiões paulistas atuam simultaneamente nos setores público e privado. No mesmo recorte, 26% atuam exclusivamente na rede privada e menos de 7% apenas na rede pública.
Em levantamentos anteriores do Conselho Federal de Medicina em parceria com a USP, os percentuais de atuação na rede pública e privada também não devem ser somados. Isso ocorre porque um mesmo médico pode manter vínculos nos dois setores. Assim, quando os dados indicam que 78% atuam na rede privada e 73% na pública, os grupos se sobrepõem.
Entre os cirurgiões brasileiros, o levantamento mais recente da Demografia Médica no Brasil aponta que 72% atuam simultaneamente nos setores público e privado, enquanto 20% trabalham exclusivamente no setor privado e 8% apenas no SUS. Nesse recorte, os percentuais são categorias distintas e somam 100%.
Os dados mostram, portanto, que transitar entre o SUS e o setor privado é uma realidade relevante na carreira médica brasileira.
Estabilidade de um lado, remuneração por hora do outro
Cada setor oferece uma combinação diferente de vantagens, e entender essa lógica ajuda a planejar a carreira com mais clareza.
No setor público, o médico pode atuar por diferentes modalidades de vínculo, incluindo regimes estatutários, CLT, contratos temporários e outras formas de contratação. Dependendo do vínculo e da instituição, pode haver maior previsibilidade de escala e rotina, além do contato com uma variedade clínica ampla, difícil de replicar em alguns contextos privados no início de carreira.
Emergências, doenças em estágio avançado, comorbidades múltiplas e pacientes de perfis muito distintos fazem parte da rotina do SUS. Essa exposição pode ter valor formativo para quem está começando a carreira.
Já no setor privado, também existem diferentes modelos de contratação e prestação de serviços. Em alguns contextos, a remuneração por hora trabalhada pode ser mais alta, sobretudo em determinados plantões e procedimentos, mas isso varia conforme especialidade, região, instituição, vínculo e modelo de remuneração.
Quando não há vínculo empregatício formal, a previsibilidade da renda pode depender mais da demanda, da agenda e da capacidade do profissional de organizar clientes e parcerias.
Segundo dados da Federação Nacional dos Médicos para 2026, o piso de referência para 20 horas semanais está em R$ 21.122,56, e um plantão de 12 horas soma R$ 3.168,38. Contudo, esses valores de referência não equivalem à renda real da maioria dos profissionais, que pode combinar múltiplas fontes de renda para compor o rendimento mensal.
O que muda na prática entre CLT, PJ, plantonista autônomo e concursado?
A forma de contratação interfere diretamente na rotina financeira e nos direitos do médico. Vale conhecer as principais diferenças antes de decidir onde e como atuar:
CLT
A relação de trabalho é regida pela Consolidação das Leis do Trabalho, com direitos como férias, 13º salário e FGTS. É uma modalidade presente em hospitais privados, instituições filantrópicas e também em diferentes organizações de saúde.
Concursado (regime estatutário)
Nesse caso, a contratação ocorre por concurso público e segue as regras definidas pelo ente federativo responsável, seja União, estado ou município. A estabilidade, no entanto, depende do regime jurídico aplicável e do cumprimento das condições previstas para o cargo público. A atuação pode incluir programas de saúde e escalas de plantão, conforme a função.
PJ (Pessoa Jurídica)
O médico presta serviço por meio de CNPJ próprio, sem carteira assinada. A remuneração bruta pode ser maior em alguns contratos, mas o profissional assume responsabilidades relacionadas a impostos, contribuição previdenciária e planejamento tributário.
Plantonista autônomo
Para o plantonista, a atuação por escala pode ser remunerada via RPA (Recibo de Pagamento Autônomo), sem vínculo fixo com uma instituição. Esse modelo pode oferecer maior flexibilidade para organizar a agenda entre diferentes serviços, públicos e privados.
Segundo a Demografia Médica no Brasil 2025, 190.917 médicos possuíam, em dezembro de 2023, vínculos formais considerados pelo estudo, como celetistas ou estatutários efetivos. Esse grupo correspondia a 33,3% dos médicos registrados nos Conselhos Regionais de Medicina. O dado não significa que os demais profissionais não exercessem atividade remunerada, mas que seus vínculos não estavam incluídos nessa categoria de emprego formal analisada pelo levantamento.
Como conciliar SUS e setor privado
Entre médicos em início de carreira, um padrão pode envolver a combinação entre diferentes espaços de atuação. O SUS pode funcionar como espaço de formação prática, enquanto o setor privado entra como complemento de renda.
Recém-formados podem assumir plantões em UPA, hospitais públicos ou unidades básicas para ampliar a experiência clínica e o contato com diferentes perfis de pacientes, enquanto equilibram esse tempo com atendimentos particulares, consultoria ou plantões PJ em instituições privadas.
Essa combinação pode ser vista, de forma equivocada, como um sinal de indefinição profissional. Na realidade, ela também pode refletir uma estratégia de construção de carreira. A diversidade de casos atendidos no SUS pode contribuir para a experiência clínica, enquanto determinadas oportunidades no setor privado podem oferecer outras possibilidades de remuneração e atuação.
Conciliar os dois, em vez de escolher um só, pode ampliar as possibilidades de aprendizado e composição de renda nos primeiros anos após a residência ou a graduação.
Uma formação que prepara para diferentes cenários profissionais com o UNIFAGOC
Nesse mercado, em que os médicos podem transitar entre diferentes vínculos e setores ao longo da carreira, faz diferença se formar em uma instituição que prepara para essa realidade desde a graduação.
No UNIFAGOC, a matriz curricular do curso de Medicina inclui campos de prática em serviços públicos de saúde, aproximando o estudante da rotina do SUS antes da residência.
Essa vivência, aliada à estrutura e ao acompanhamento oferecidos pela instituição, contribui para uma formação que conecta conhecimento teórico e prática em diferentes cenários profissionais.
O curso de Medicina do UNIFAGOC conquistou conceito 5, nota máxima, no CPC (Conceito Preliminar de Curso).
No Enamed 2025 (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), obteve conceito 4 e alcançou a melhor nota entre as instituições particulares das regiões da Zona da Mata e Central de Minas Gerais.
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