Direito
Alunos do Direito UNIFAGOC participam de visitas técnicas à APAC de Itaúna e ao presídio de Ubá
Publicado em 27/04/2026
por Aline Ceolin
A vivência prática tem papel cada vez mais relevante na formação jurídica. A atividade aproximou o conteúdo estudado em sala da realidade do sistema prisional brasileiro.

Alunos do 3º período do curso de Direito do UNIFAGOC participaram de duas visitas técnicas com o objetivo de conhecer, na prática, diferentes modelos do sistema prisional brasileiro. A iniciativa foi conduzida pelo professor Lucas Pacheco.
A primeira atividade foi realizada no dia 14 de abril, na Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) masculina de Itaúna, com a participação de 9 estudantes. Já no dia 24 de abril, o grupo visitou o presídio convencional de Ubá, reunindo 15 alunos, em proposta de análise comparativa e ampliando o olhar crítico dos futuros profissionais entre os dois modelos.
OBJETIVO DA EXPERIÊNCIA
A proposta da visita foi apresentar aos estudantes, ainda no início da formação, alternativas ao modelo tradicional de execução penal.
“O objetivo principal foi apresentar aos alunos, que estão iniciando os estudos em Direito Penal, o método APAC. Queríamos que eles vissem de perto uma metodologia humanizada de ressocialização, que foca na disciplina, no trabalho e no envolvimento da família, contrastando com o sistema tradicional”, explica o professor.
INTEGRAÇÃO ENTRE TEORIA E PRÁTICA
A ação está diretamente ligada à proposta pedagógica do curso, que busca integrar conhecimento teórico e experiências práticas desde os primeiros períodos.
“Atividade faz parte de um Projeto de Extensão coordenado por mim, voltado especificamente para a teoria jurídica processual juntamente com aspectos práticos e como são alunos que estão começando a estudar o direito penal, nada mais prático que conhecer e a realidade do sistema prisional brasileiro, servindo como complemento prático ao conteúdo teórico que os alunos começaram a ver neste semestre”, afirma Lucas.

FORMAÇÃO CRÍTICA E HUMANIZADA
O contato direto com diferentes realidades contribui para o desenvolvimento de visão mais ampla sobre o Direito.
“Essa experiência é fundamental para tirar o aluno da ‘bolha’ acadêmica e trazê-lo para o contato direto com a realidade jurídica e social. Ver as diferentes formas de cumprimento de pena permite que eles desenvolvam olhar crítico e humanista sobre a execução penal, preparando-os para serem profissionais mais conscientes e preparados para os desafios do sistema de justiça”, destaca o docente.
DINÂMICA NA APAC
Durante a visita à unidade de Itaúna, os alunos puderam conhecer de perto o funcionamento do método e sua organização.
“Ocorreu uma recepção muito acolhedora. Fomos muito bem recebidos. A dinâmica na APAC é pautada pelo respeito mútuo. Os alunos puderam conhecer as instalações, entender o regime de autogestão onde os próprios recuperandos nos recepcionam, coordenam a visita e participam da organização do local, e perceber a ausência de vigilância armada e câmeras, que são pilares do método”, relata o docente.
REFLEXÕES DOS ALUNOS
A experiência gerou impacto significativo entre os participantes, especialmente pela comparação entre os modelos visitados.
“A percepção foi de grande impacto. A principal reflexão foi o choque de realidade ao comparar Itaúna com a visita ao presídio convencional em Ubá. Os alunos notaram que, enquanto o sistema comum muitas vezes foca apenas na contenção, a APAC foca na dignidade humana. Muitos destacaram como a estrutura e o tratamento influenciam diretamente no comportamento e na esperança de reintegração do indivíduo na sociedade”, comenta o professor.
RELEVÂNCIA PROFISSIONAL
Conhecer diferentes abordagens do sistema penal é diferencial importante na formação acadêmica e na atuação futura dos estudantes.
“As visitas são de suma relevância porque a APAC é referência mundial em execução penal que nasceu em Minas Gerais. Para futuro advogado, juiz ou promotor, entender que existem alternativas eficazes e menos custosas ao Estado, que realmente recuperam o ser humano, é essencial para que eles possam contribuir com a evolução do nosso sistema jurídico e prisional”, reforça Lucas.
A atividade reforça o compromisso do UNIFAGOC com formação sólida, conectada à prática e orientada para a construção de profissionais preparados para atuar com responsabilidade, senso crítico e visão humanizada.
