Medicina
Diretor da Medicina UNIFAGOC participa do 64º Congresso Brasileiro de Educação Médica
Publicado em 30/09/2026
por Aline Ceolin
Dr. Filipe Andrade acompanhou discussões sobre avaliação de estudantes, novas Diretrizes Curriculares, inteligência artificial e os caminhos da formação médica.

O diretor do curso de Medicina do UNIFAGOC, Dr. Filipe Andrade, participou do 64º Congresso Brasileiro de Educação Médica (COBEM), realizado entre os dias 17 e 20 de setembro, em Porto Alegre (RS).
Promovido pela Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), o evento reuniu mais de 1,5 mil participantes e teve como tema central “Diretrizes da Educação Médica: Avaliação e Qualidade a Serviço de Toda a Sociedade”.
Ao longo da programação, foram debatidos temas relacionados às novas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Medicina, avaliação programática, Teste de Progresso, formação para o Sistema Único de Saúde (SUS), tecnologias aplicadas ao ensino e inteligência artificial na educação médica.
A participação no congresso possibilitou ao diretor acompanhar diferentes perspectivas sobre os desafios atuais da formação médica e conhecer experiências desenvolvidas por instituições brasileiras e internacionais.
AVALIAÇÃO E NOVAS DIRETRIZES EM DESTAQUE
Entre os assuntos que mais chamaram a atenção do Dr. Filipe estiveram os processos de avaliação dos estudantes e a implementação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais, publicadas em 2025.
Segundo o diretor, as discussões reforçaram a importância de compreender a avaliação como parte do processo de formação, e não apenas como mecanismo de atribuição de notas.
“Um dos temas que mais me chamou a atenção foi a avaliação do estudante de Medicina, especialmente a avaliação programática e a necessidade de compreendermos a avaliação não apenas como um instrumento para atribuição de notas, mas como parte efetiva do processo de formação. Houve discussões muito interessantes sobre Teste de Progresso, avaliação de competências, proficiência e utilização dos resultados das avaliações para acompanhar longitudinalmente o desenvolvimento do estudante. Outro tema central foram as novas Diretrizes Curriculares Nacionais de Medicina, publicadas em 2025, e o desafio que representam para as escolas médicas. Não basta simplesmente adequar documentos ou matrizes curriculares; precisamos transformar as diretrizes em práticas concretas de ensino, avaliação e acompanhamento do desenvolvimento dos estudantes. Também foram bastante relevantes as discussões sobre inteligência artificial e novas tecnologias aplicadas à educação médica. A IA já pode auxiliar na elaboração de questões, casos clínicos, pacientes simulados e outras atividades educacionais, mas sua utilização precisa ser crítica, responsável e baseada em evidências”, comenta.
As novas Diretrizes Curriculares Nacionais estiveram entre os principais eixos do 64º COBEM, que discutiu justamente os desafios de transformar as diretrizes em práticas concretas de formação e avaliação. A avaliação programática também ganhou destaque na programação do evento.
TROCA DE EXPERIÊNCIAS
Além das discussões científicas e acadêmicas, o congresso proporcionou o contato com profissionais de diferentes instituições, ampliando a possibilidade de troca de experiências sobre os desafios enfrentados na educação médica.
Para o diretor, esse intercâmbio é especialmente relevante para quem atua na gestão de cursos de Medicina, diante das transformações pelas quais a formação médica passa atualmente.
“O COBEM é um dos principais espaços de discussão da educação médica brasileira. Para coordenadores e professores, ele permite conhecer experiências de outras escolas médicas, discutir dificuldades que muitas vezes são comuns às instituições e, principalmente, confrontar aquilo que fazemos em nosso curso com as tendências e evidências mais atuais da educação médica. Para quem exerce a gestão de um curso de Medicina, isso é particularmente importante. Temos mudanças importantes acontecendo simultaneamente: novas Diretrizes Curriculares, novas formas de avaliação da formação médica, avanço da educação baseada em competências, avaliação programática e incorporação crescente de tecnologias e inteligência artificial. Além do conteúdo científico, há um aspecto muito importante de troca de experiências. Conversar com outros coordenadores, professores e pesquisadores permite perceber diferentes soluções para problemas semelhantes e, muitas vezes, voltar para a instituição com ideias que podem ser adaptadas à nossa realidade”, explica o docente.

REFLEXÕES PARA O UNIFAGOC
As discussões realizadas durante o COBEM também trouxeram reflexões relacionadas ao trabalho desenvolvido no curso de Medicina do UNIFAGOC. Para o Dr. Filipe, um dos principais aprendizados está na necessidade de integrar diferentes elementos da formação para garantir um processo educacional coerente.
“A principal reflexão é que qualidade em educação médica depende cada vez menos de ações isoladas e cada vez mais da existência de um sistema coerente. Currículo, metodologias de ensino, cenários de prática e avaliação precisam estar alinhados. No UNIFAGOC, temos trabalhado há vários anos no aprimoramento dos nossos processos de avaliação e no acompanhamento do desempenho dos estudantes. As discussões do COBEM reforçaram a importância desse caminho, especialmente no sentido de utilizar os resultados das avaliações para identificar precocemente dificuldades de aprendizagem e orientar intervenções”, afirma.
Outro ponto importante que Filipe destaca é a necessidade de preparar continuamente professores e preceptores.
“Podemos ter um excelente projeto pedagógico e bons instrumentos de avaliação, mas a qualidade da formação depende fundamentalmente das pessoas que executam esse projeto. Por isso, desenvolvimento docente, feedback de qualidade e formação de preceptores continuam sendo prioridades. Saio do congresso também com a convicção de que devemos incorporar as novas tecnologias, inclusive a inteligência artificial, mas sempre como instrumentos a serviço da aprendizagem e nunca como substitutos do raciocínio, da relação professor-aluno ou da experiência clínica”, ressalta.
A presença da tecnologia e da inteligência artificial esteve entre os destaques da programação do congresso, com discussões sobre possibilidades de uso dessas ferramentas na criação de questões, casos clínicos e pacientes simulados, além da necessidade de utilização crítica e responsável.
AVALIAÇÃO PROGRAMÁTICA E TROCA COM OUTROS PROFISSIONAIS
Entre os momentos considerados mais significativos pelo diretor estiveram as discussões sobre avaliação programática. O tema foi um dos principais eixos do congresso e esteve diretamente relacionado às novas Diretrizes Curriculares Nacionais.
“Destacaria especialmente as discussões sobre avaliação programática. Foi interessante observar experiências nacionais e internacionais mostrando uma mudança importante de perspectiva: deixar de pensar a avaliação como uma sequência de provas independentes e passar a enxergá-la como um conjunto de informações produzidas ao longo do curso, capazes de demonstrar a evolução do estudante”, destaca.
Dr. Filipe afirma que também considera muito valioso os encontros informais com professores, coordenadores e pesquisadores de diferentes instituições.
“Muitas vezes, uma conversa entre atividades permite discutir problemas concretos da gestão de um curso de Medicina com pessoas que enfrentam desafios semelhantes. Esse é um dos grandes valores do COBEM: além das palestras e das evidências apresentadas, ele cria uma comunidade de pessoas que estão pensando permanentemente sobre como formar médicos melhores. Voltamos para nossas instituições não apenas com novas informações, mas também com novas perguntas sobre aquilo que podemos fazer melhor”, conclui o diretor.
A edição deste ano reforçou a discussão sobre os caminhos da educação médica diante das novas diretrizes, reunindo diferentes gerações de professores, pesquisadores, estudantes, preceptores, gestores e representantes de instituições para discutir formação, avaliação, inovação e integração com o sistema de saúde.
