Conhecimento é para todas as idades: conheça universitários 40+ do UNIFAGOC

Publicado em 11/07/2024
por lsb

Conhecimento nunca é demais, disso todo mundo sabe. Mas será que todos sabem que o conhecimento é para todas as idades? Muito enganado está quem pensa que faculdade é coisa de quem tem 20 e 30 anos. De acordo com o último Censo da Educação Superior, do Ministério da Educação (MEC), cerca de 599.977 pessoas na faixa dos 40 anos foram matriculadas em 2021. O número representa um aumento de 171,1% nos últimos dez anos, entre 2012 e 2021.

 

No UNIFAGOC, o público com mais de 40 anos é representado por um total de 92 alunos. Entre os cursos do Centro Universitário Ubaense com mais estudantes nesta faixa etária estão Psicologia (23), Medicina (21) e Direito (15). Além disso, Educação Física, Odontologia, Nutrição, Enfermagem, Estética e Cosmética, Pedagogia, Administração e Ciência da Computação, também são apontados com alunos nesta faixa etária.

 

A idade não é um empecilho para ingressar no ensino superior. Iniciar uma faculdade nesta fase da vida pode ser desafiador, mas “se é um sonho, um objetivo a ser realizado, você se torna imparável, não tem dificuldade que te segura”, é o que diz o acadêmico Wellington de Souza Silva. 

 

Wellington, 40 anos, que está no quinto período do curso de Medicina do UNIFAGOC, conta que apesar dos obstáculos e exigências do curso, é a realização de um sonho que estava guardado há muito tempo. “Para mim, é um prazer todos os dias, sinto que cada vez mais estou realizando. É maravilhoso estar aqui!

 

 

O estudante, que já é graduado em ciência da computação, revela que não chegou a seguir carreira na área e que trabalhou como bancário por 18 anos. “Na época, acabei adoecendo e iniciar a graduação foi o meu tratamento”.

 

Sobre a rotina, Wellington afirma que não sentiu tanta dificuldade por gostar de estudar, mas que abdicar o tempo com a família foi, e ainda é o maior desafio.

 

“Realmente a família sente que você está menos disponível, mas o senso de você sentir que está no lugar certo, realizando uma coisa que te faz bem, faz a gente passar por cima dessas coisas”, destaca o aluno.

 

Com relação a iniciar o curso de Medicina nessa idade, Wellington ressalta que a experiência pode ajudar na convivência com os colegas mais novos. “Conseguimos entender quando é hora de recuar e quando tem que avançar. Acredito que os mais jovens, no geral, também são abertos às ideias. 

 

Tem mais coisa que a maturidade consegue mostrar o que o Wellington mais novo talvez não entenderia. Um médico traz com ele essa questão da humanidade, acho que tudo tem um tempo certo para acontecer. Na maturidade, a gente já consegue entender o paciente como algo muito maior do que simplesmente você estar ali na sua profissão”, destaca.

DESAFIO DEPOIS DOS 40

 

 

Outro aluno que vive o desafio de cursar uma faculdade é o Jairo Alves do Carmo. Aos 69 anos, Jairo já está no nono período do curso de Direito do UNIFAGOC. Ele menciona que a decisão de ingressar no ensino superior veio com o apoio dos filhos e da esposa.  “A gente se aposenta e se afasta do mundo. Passaram-se alguns anos e eu vi que precisava fazer alguma coisa da minha vida. Minha família me aconselhou que eu estudasse.”

 

Foi difícil, porque você vem de um mundo em que, aos 69 anos, é totalmente diferente. Eu senti muita dificuldade no começo, mas com o tempo eu fui aprendendo, me encaixando e me transformando”, relata o acadêmico.

 

Jairo defende que, apesar de não haver idade certa para fazer uma graduação, é preciso respeitar a personalidade de cada pessoa. “Você tem que ser você, com educação e respeito com todo mundo. Não faz diferença nenhuma, tem os jovens e tem a gente e isso não tem diferença . Nós somos seres humanos e somos todos iguais”, comenta.

 

Às vezes, paro a aula porque não entendi alguma coisa, e os professores ajudam e explicam com a maior calma. O bacana é que o pessoal respeita a situação da gente. Quando eu entrei aqui, eu era péssimo em fazer uma prova, porque eu não entendia o enunciado, hoje eu entendo. Meu cérebro está funcionando normal, como se eu tivesse 20 anos”, diz o estudante.

 

Após concluir a graduação, Jairo afirma que pretende continuar estudando e que irá usar o conhecimento para ajudar as pessoas. “Vai ser uma grande vitória. Tem momentos que a gente pensa em desistir, só não podemos querer desistir. Vou me formar em advocacia e vou ajudar alguém”, completa.

 

TRANSIÇÃO DE CARREIRA

 

 

Se desafiar a viver uma nova experiência profissional depois dos 40 requer coragem e dedicação. A nossa aluna Flávia Mourthê Freitas, que já era formada em Fisioterapia, não teve medo e encarou o desafio de iniciar o curso de Medicina aos 45 anos.

 

“Na época, eu trabalhava de segunda à sexta-feira e estudava no final de semana. Depois, diminui o meu tempo de trabalho e aumentei o de estudo. Me planejei para passar na prova de Obtenção de Novo Título em um ano e consegui passar em três meses, em primeiro lugar”, revela a estudante.

 

Flávia conta que se sente totalmente diferente de quando cursou a sua primeira faculdade. “A vivência com a medicina é bem melhor, eu consigo me visualizar saindo do curso e trabalhando. Na fisioterapia, eu tinha um pouco de medo de errar por ser a minha primeira carreira. Agora, não. Acredito que depois que a gente fica mais velho, nos sentimos mais seguros”. 

 

A acadêmica, que já está no terceiro período, declara que está cheia de expectativas para o próximo semestre. “Daqui a pouco, já estamos finalizando o ciclo básico e iniciando o ciclo clínico, que já é outra jornada”. 

 

Eu fico imaginando o tanto de coisas que apareceram, um leque de possibilidades e oportunidades. Penso em fazer medicina do trabalho, clínica médica, no outro dia quero fazer anestesiologia. É muito bacana essas chances que o curso nos propõe. Concluir mais essa graduação representa muito para mim, é uma vitória! Quero poder chegar e contar para minha família, agora sou médica. É uma emoção muito grande”, conclui Flávia.