Mês de conscientização sobre a Doença de Parkinson: entenda a patologia e conheça a história do aluno do curso de Nutrição do UNIFAGOC Arantes Junior, acometido precocemente pela doença

Publicado em 11/07/2024
por lsb

 

Abril é o mês de conscientização sobre a Doença de Parkinson. O dia 11 de abril foi instituído, em 1998, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson com intuito de disseminar informação as pessoas sobre a doença, oportunidades de tratamento e como obter melhor qualidade de vida após o diagnóstico.

 

informação pode ser essencial para que portadores dessa condição possam buscar auxílio médico e tratamentos no tempo apropriado. A Doença de Parkinson, descoberta há mais de 200 anos, é segunda patologia degenerativa, crônica e progressiva do sistema nervoso central mais frequente no mundo e não tem cura, porém é possível tratamento com medicações, que devem ser usadas por toda a vida, que melhoram os sintomas. O tratamento da doença dever ser realizado e acompanhado por equipe multiprofissional.

 

Os primeiros sinais da doença costumam ser os tremores nas extremidades das mãos e maior lentidão dos movimentos. Outros sintomas que podem estar relacionados ao começo da Doença de Parkinson são distúrbios da fala, redução da quantidade de movimentos, dificuldade para engolir e rigidez muscular.

 

O acadêmico do 1º período do curso de Nutrição do UNIFAGOC Rosalvo Arantes Junior, de 34 anos, é pai de duas filhas, graduado em Ciências Biológicas, amante de literatura, ciência e portador precoce da Doença de Parkinson.

 

PRIMEIROS SINAIS

 

O aluno conta que a doença deu os primeiros sinais em sua vida no ano de 2016, quando foi renovar a sua habilitação e sentiu que estava tremendo no momento de fazer a biometria.

 

O que mais me preocupou é que estava calmo, então nervosismo não era. Deu um alerta vermelho na minha mente. No mesmo dia percebi que meu braço direito não balançava quando andava e nem quando estava saindo para correr. Por fim, as pessoas estavam perguntando se eu tinha algum problema no braço”, relata Junior.

 

O acadêmico diz que começou a se sentir extremamente cansado e que ele mesmo começou a desconfiar de Parkinson, pois havia estudado sobre o assunto na faculdade.

 

Foi uma saga de quase três anos, passando por diagnósticos errados que foram desde problemas na coluna, psiquiátricos até que eu não tinha nada”, conta Arantes.

 

DIAGNÓSTICO

 

Junior afirma que receber o diagnóstico foi um misto de alívio e sofrimento, alívio por descobrir realmente o que tinha e sofrimento por saber que é doença degenerativa e que a sua luta seria grande.

 

Este diagnóstico veio por causa do empenho de um amigo, chamado Alan Erto, que cursava Medicina no UNIFAGOC e me indicou o nome de dois neurologistas que ele sabia serem muito bons, Dr. Tiago Antoniol e Dr. Álvaro Rivelli. Fui nos dois, pois pensei ‘duas cabeças funcionam melhor que uma’ e ambos foram categóricos em falar que eu tinha Parkinson. Foram dois profissionais que me auxiliaram muito”, explica o estudante.

 

Após o diagnóstico, Arantes afirma que o período de adaptação foi muito difícil, mas que persistiu em se manter bem e recebeu o apoio de diversos amigos que, contribuíram de diferentes formas para o seu progresso.

 

Eu sabia que minha vida não seria mais a mesma, que teria de aceitar as limitações da doença, mas sem me render”, lembra Junior.

 

DIA A DIA

 

Em seu dia a dia, o aluno relata que a doença tem muitas oscilações, seja por causa de efeitos colaterais dos remédios, ou por conta dos sintomas e que é muito complexo e cansativo. O tratamento é multidisciplinar e deve ser feito rigorosamente o que exige bastante disciplina, mas Arantes afirma ter descoberto que manter o bom humor, não pensar demais sobre o assunto e ocupar a sua mente são formas essenciais de conseguir ter melhor qualidade de vida.

 

Minha vida mudou muito. Antes não tomava nenhum comprimido, hoje tomo cerca de dez por dia. Tem dias que é difícil até levantar da cama, fora os demais tratamentos como fonoaudiologia, fisioterapia e exercícios físicos. Passei por momentos difíceis e passo ainda, mas hoje posso dizer que tenho orgulho de mim mesmo, pois também consegui construir momentos felizes e realizar sonhos que nunca imaginei que conseguiria. Não vejo o diagnóstico como sentença e sei que posso realizar muitas coisas mesmo tendo limites físicos, procuro focar no que ainda consigo fazer”, descreve o acadêmico.

 

TRAJETÓRIA NO UNIFAGOC

 

Junior conta que a sua trajetória com o UNIFAGOC começou antes mesmo de ser aluno da instituição. Confira o relato abaixo.

 

Tenho uma irmã que fez Comunicação Social no UNIFAGOC e hoje trabalha no setor de Comunicação da Anatel em Recife. Os médicos que me diagnosticaram são professores da Medicina do UNIFAGOC, e, inclusive um deles escreveu um prefácio do meu livro. Layla Vieira, que é uma grande apoiadora dos meus projetos, estuda na instituição. Quando precisei de patrocínio para representar Ubá na corrida do Dia Mundial das Doenças Raras, na sede do governo de Minas em 2020, época em que eu nem estudava na instituição ainda, a Barbara Nascimento, Pró-reitora de Comunicação e Marketing do UNIFAGOC, prontamente me atendeu. Então, vejo mais do que instituição de ensino privada, é uma instituição que se preocupa com causas sociais e que está disposta a contribuir com o crescimento da sociedade e com o bem-estar das pessoas”.

 

NÚCLEO DE APOIO AO ESTUDANTE

 

Núcleo de Apoio ao Estudante (NAE) visa prestar assistência aos alunos, oferecendo condições para a sua realização como pessoa e para o encaminhamento à sua formação profissional plena. Constitui-se de serviço de orientação, apoio e escuta direcionado a alunos, professores, colaboradores e ao UNIFAGOC como um todo, buscando superar as dificuldades surgidas tanto de conflitos pessoais quanto de funções cognitivas, visando melhor desempenho acadêmico dos discentes.

 

Euzélia Squizzato, atendente educacional especializada, explica que o Núcleo de Acessibilidade procura compreender as necessidades educacionais especiais de cada aluno que requer atendimento inclusivo, visando propiciar com que vença suas dificuldades de aprendizagem.

 

Segundo Euzélia, no caso de Junior foi realizada entrevista de anamnese a fim de avaliar as suas dificuldades e potencialidades. Em seguida, foi elaborado relatório de orientações psicopedagógicas para os professores e diretora do curso. “Portanto, o acompanhamento consiste em proporcionar a este aluno a possibilidade de adaptações físicas, psicológicas e sociais”, aponta a atendente educacional.

 

Eu sei que não vai ser fácil conciliar os estudos com as limitações motoras da doença e os efeitos colaterais dos medicamentos, mas o pessoal do NAE foi maravilhoso na acolhida. A Adriana Molica e a Euzélia estão de parabéns pelo espírito humano e a capacidade profissional, além da Thalita Azevedo, coordenadora do curso de Nutrição do UNIFAGOC, que sempre me apoia. Com isto o fardo fica mais leve”, afirma Arantes.

 

EVENTOS

 

 

 

O aluno já participou de eventos de destaque em várias regiões do país abordando o tema, como o Encontro Nacional das Associações de Parkinson em Porto Alegre/RS no ano de 2019, do Futebol Solidário “Amigos do Túlio vs Amigos do Regis Danése”, onde jogou com jogadores profissionais e aposentados em Uberaba/MG no ano de 2019, do Batizado e Troca de Cordas Abadá Capoeira na cidade de Queimadas/PB em 2020, entre outros.

 

Participei do Simpósio de Neurologia do UNIFAGOC em 2019 como palestrante. Também do Abadá Acadêmico, que é evento internacional online em parceria com o IFET Fortaleza/CE, lá apresentei um resumo junto com a estudante de Medicina do UNIFAGOC Layla Vieira”, conta o acadêmico.

 

O próximo evento que Junior irá participar é a Semana Municipal de Conscientização da Doença de Parkinson, ação realizada devido a projeto de lei (4.722/2019) que foi solicitada por ele e apresentada pelo vereador Dr. José Roberto.

 

É uma lei que estipula que todo ano terá esta semana. Faremos nos dias 26 e 27 de abril o 1° Simpósio UNIFAGOC de Conscientização da Doença de Parkinson, que será multidisciplinar e contará com profissionais de várias áreas, tendo em vista que abril é o mês mundial de conscientização desta patologia”, comenta o estudante.

 

No mês passado, Arantes recebeu uma ligação do Dr. Sávio, membro da Academia Brasileira de Cordel, que escreve sobre doenças com este tipo de literatura para promover a prevenção e a conscientização das pessoas e irá produzir material baseado em seu livro, “Havia um Parkinson no meio do Caminho, No Meio do Caminho Havia um Parkinson”. Segundo Junior, o cordel está em produção e deverá ficar pronto ainda este mês.

 

Resolvi abraçar a causa das pessoas com Parkinson, pois em nossa região não tinha uma voz para isto. Com o conhecimento acadêmico que tenho, posso ajudar pessoas que, como eu, passam por preconceito e muitas vezes tem os seus direitos desrespeitados. Minha próxima meta é publicar meu livro em formato físico, pois só tenho ele em PDF, para começar a participar de eventos literários e ter maior divulgação das minhas ações”, conclui Arantes.