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FAGOC promove palestra sobre Jornal Panorama

Publicado em 06/05/2004
por Developer Unifagoc

A Faculdade Ubaense Ozanam Coelho convida para a palestra “Cotidiano do jornal impresso diário – o exemplo do Jornal Panorama”, que acontece sábado, dia 15 maio, a partir das 9h, no auditório da instituição, e será apresentada pelo professor e jornalista, Michael Guedes. A atividade é voltada para estudantes de Comunicação Social, mas interessados no tema também podem participar.


Formado pela UFJF, Michael é chefe de reportagem e editor de política do Jornal Panorama, de Juiz de Fora, e ministra na FAGOC as disciplinas Assessoria de Comunicação e Redação em Jornalismo I. Segundo ele, o objetivo é mostrar como funciona o jornal impresso, da redação à chegada às bancas, além de comparar o planejamento gráfico, a abordagem dos fatos e a cobertura fotojornalística.


A palestra contará como atividade complementar e os alunos de Jornalismo receberão certificados. A entrada é gratuita, com limite de 60 vagas.


De assessor de impressa a chefe de reportagem

O jornalista Michael Guedes tem 29 anos de idade e seis de profissão. Em 1997, começou a trabalhar no jornal juizforano Tribuna de Minas, como repórter da editoria de política. No mesmo ano, entrou para a assessoria de comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde desempenhou a função de editor de conteúdo do site da instituição e dos releases dos estagiários. Também foi responsável pelas publicações da UFJF e pelo atendimento à imprensa local e nacional.



Nesses seis anos, fez curso de extensão em “Técnicas de Webwriting”, pela Faculdade Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, e se especializou em “Mídia e Deficiência”, produzindo a monografia “Mídia Impressa e Exclusão Social”. No jornal Tribuna, também exerceu a função de editor e articulista político.


Em junho de 2003, foi aprovado na seleção para professor substituto da UFJF, na disciplina “Técnica de Produção em Hipermídia”. Em outubro, foi convidado para assumir a editoria de política do Jornal Panorama. Lá também Michael assina uma coluna diária de notas políticas. Em março, foi promovido a chefe de redação, e no final do mesmo mês, recebeu o convite para dar aulas na FAGOC.


Confira abaixo entrevista pingue-pongue realizada pelas alunas do 3º ano de Jornalismo, Danúbia Mota e Anita Guedes, com o jornalista Michael Guedes sobre as particularidades do jornalismo especializado em política.


O que é jornalismo político, qual a sua função?

MICHAEL GUEDES – Fazer um jornalismo político é apurar e divulgar o fato, muitas vezes antes de ele nascer. É saber, por exemplo, que um acidente de trânsito foi causado pela calçada ser pequena, já que a Câmara Municipal não aprovou o novo Código de Posturas e a Lei de Uso do Solo do município. É tornar público todo o jogo de bastidores, as articulações dos políticos para assumir o poder e mostrar que o seu exercício é fundamental para a vida do cidadão. É fazer um link entre a sociedade e a política, para fiscalizar e corrigir distorções da realidade.

O papel do jornalista político deve ser meramente informativo, no sentido de traduzir os acontecimentos, ou o jornalista deve considerar-se como um formador de opinião, interpretando e produzindo análises diferenciadas?

MICHAEL GUEDES – Para executar bem o papel de tradutor do jogo político é necessário, sim, interpretar e opinar sobre os fatos. Isso deve ser feito a partir de análises com várias fontes e pela própria experiência.

É imprescindível uma formação específica, uma base acadêmica formal (Ciência Política ou História), aos jornalistas que cobrem a área de política no jornal em que trabalham?

MICHAEL GUEDES – Não é imprescindível, mas altamente recomendável. O bom jornalista político acaba pegando tudo isso com a prática, porém a especialização queima etapas e pode ser fundamental na conquista de vagas no mercado.


Como é o funcionamento de uma editoria política? Qual espaço de que ela dispõe? Quantos são os repórteres?

MICHAEL GUEDES – No Panorama, sou o editor, tenho uma sub-editora e três repórteres. Produzimos conteúdo para duas páginas diárias de política local – o que não é mole numa região como a Zona da Mata, além de uma coluna de notas [Informe]. A Política não é factual. Temos que correr atrás dos fatos.

Algumas pesquisas internas dos próprios jornais dizem que as editorias menos lidas são política, economia e internacional. Você concorda?

MICHAEL GUEDES – Não. De acordo com o perfil do nosso público, das classes A, B e C, principalmente, as páginas de política acabam sendo um referencial para a formação da opinião. Por isso, temos dados de que elas são bastante lidas. O mesmo acontece com a economia, que cada vez mais tem se pautado no bolso do consumidor. Em relação à internacional, não tenho elementos para avaliar.

Em termos de linguagem, você acha que a editoria de política produz matérias acessíveis ao cidadão comum?

MICHAEL GUEDES – Produz se, como disse, souber traduzir o blablablá para a vida da sociedade.

Há algum tipo de posicionamento ideológico da editoria do jornal que deve ser compartilhada com o repórter?

MICHAEL GUEDES – Ideologia, hoje, é um termo extremamente relativo. Há os interesses de mercado, como em qualquer empresa – jornalística ou não. Isso não é tratado diretamente com os repórteres.

O que é um fato noticiável na política? Como tratá-lo?

MICHAEL GUEDES – É tudo que afeta a vida do cidadão. Temos que desconfiar de tudo, ser o mais curioso possível e seguir aquelas regrinhas básicas do jornalismo.

Na política, um silêncio, uma omissão, ou uma ausência, pode constituir nos grandes “fatos”do dia. Como noticiá-las, com que critérios?

MICHAEL GUEDES – O “off” é uma ferramenta indispensável do jornalismo político. É aí que um silêncio pode ser divulgado e explicado para o leitor.


Existe uma divisão dentro da editoria de política para notícias regionais e demais notícias?

MICHAEL GUEDES – Privilegiamos o noticiário local e regional, que sempre vêm primeiro. A separação para o nacional pode vir na própria divisão de páginas ou com uma barra gráfica.


Como é a relação entre jornalistas e políticos, já que estes constituem a maioria das fontes?

MICHAEL GUEDES – É tranqüila, como em qualquer editoria. É claro que sempre existem interesses em jogo. A estratégia é saber lidar com eles, ouvindo todos os lados, contando todas as histórias e as motivações do fato.


O que você acha sobre a intervenção da mídia no cenário político do país?

MICHAEL GUEDES – O papel é fundamental para o controle, o equilíbrio e o desenvolvimento da democracia.



Cibele Batalha – Aluna do 2º ano de Jornalismo

Monitora da Agência de Notícias da FAGOC

Colaboraram Danúbia Mota e Anita Guedes –
Alunas do 3º ano de Jornalismo da FAGOC

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